Rota021

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Renato Cozta  //  Semiblog produzido por Renato Cozta, editor de tecnologia e cinema do Almanaque Virtual e jornalista em O Dia, no Rio de Janeiro. Quer falar comigo? www.meadiciona.com.br/cozta

Oct 11 / 12:00pm

Fantasia em aquarela*

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Falar de animação é quase sempre lembrar de grandes produtoras como a Pixar ou a DreamWorks e, às vezes - com um longo exercício de memória -, de algumas produções da Disney, quase que como um reflexo de uma lembrança infantil de algumas pessoas. Transpor esse infantil para as telas não tarefa fácil e poucas produções conseguem um resultado que consiga atrair as crianças sem afastar os maiores. E por falar nos pequenos, lembramos que é neles que a fantasia tem terreno fértil. É no imaginário deles, que palavras como impossível e improvável soam somente como ‘coisas de adulto. 

Mas, diferente das superproduções do gênero, Mia et le Migou (Mia et le Migou, 2008) é muito mais fantasia infantil, do que efeitos especiais. O diretor francês Jacques-Rémy Girerd aposta em um bom roteiro para mostrar a saga da pequena Mia, uma menina pobre que sai de um vilarejo em busca do pai. Durante o percurso, ela vive uma série de aventuras e acaba conhecendo os Migos - uma espécie de espírito da floresta - responsáveis pela proteção de uma árvore importante, que pode ser destruída pela construção de um hotel luxuoso dentro do local.

Usando animação frame a frame e uma ótima direção de fotografia para dar contornos, a fábula ganhou força narrativa. Apesar disso, o roteiro tem alguns furos, mas nada que atrapalhe o resultado final da história. Jacques-Rémy Girerd coloca na aventura de Mia, elementos que fazem parte da percepção infantil. Os Migos são como os amigos imaginários que em geral acompanham as brincadeiras das crianças. Além disso, trabalha-se na perspectiva em que impossível e improvável são parte real do universo da personagem principal.

Mia et le Migou consegue construir uma história com simplicidade e sensibilidade impar. Ao mesmo tempo, a animação investe no imaginário infantil, colocando na tela uma saga para crianças e adultos. A fantasia é o terreno por onde Mia vive as suas aventuras, mas é o público que acaba sendo conquistado pela inocência e o universo criado pela narrativa. A visão de mundo proposta é a mesma de quem lembra que o improvável e o impossível são coisas de adulto na mente dos pequenos.


Mostra Panorama do Cinema Mundial

Mia et le Migou
França / Itália, 2008. 92 min.
Direção: Jacques-Rémy Girerd

*crítica escrita originalmente para o Almanaque Virtual
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Oct 10 / 7:21am

Os dez mais do Festival do Rio

O Festival do Rio acabou. Mas ainda há chance de ver alguma produção na repescagem, que começou ontem (9), nas salas do Espaço de Cinema. Entretanto, a grande pergunta que todos se fazem ao final do evento é: quais foram o filmes mais vistos? 'Seria Bastardos Inglórios' , de Quentin Tarantino?

E deu Almodóvar na cabeça, com 'Abraços Partidos'. Em segundo lugar ficou a comédia romântica '(500) Dias com Ela'' de Marc Webb. A produção que reconte como foi o Festival de Woodstock,  'Aconteceu em Woodstock', de Ang Lee ficou com a terceira colocação. O filme de Tarantino aparece logo em seguida.

Confira a lista com os dez filmes mais vistos no Festival do Rio.

1. Abraços partidos      
2. (500) Dias com ela
3.  Aconteceu em Woodstock    
4.  Bastardos Inglórios     
5 . Coco antes de Chanel     
6. Histórias de Amor Duram Apenas 90 Minutos      
7. Tokyo!     
8. Distante Nós Vamos      
9. Sonhos Roubados      
10. Nova York, Eu Te Amo

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Oct 7 / 4:40am

Programação da repescagem do Festival do Rio

O maior festival da américa latina vai chegando ao fim nesta semana. Mas, se você ainda pode aproveitar para ver alguns filmes na programação que começa no dia 9 e vai até o 15 de outubro, acontecendo nas salas do Estação de Cinema, em Botafogo. Os ingressos custam R$ 14 (inteira) e R$ 7 (meia).

O destaque fica para a animação argentina Boogie, Cornucópia - que eu analizei aqui - e a produção coreana 'O clone volta para Casa'. Confira a programação da repescagem do Festival do Rio aqui.

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Oct 2 / 3:19pm

Dia de Black Dynamite no Festival do Rio

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Hoje é dia de ver Black Dynamite, de Scott Sanders, em mais uma das minhas sessões no Festival do Rio. E porque quero ver a produção? A resposta é simples: o longa é uma reconciliação com cinema black americano, quando os negros começaram a fazer filmes de ação. O diretor faz uma mistura humor, violência e black power americano.

O ator principal é Michael Jai White, no papel de um agente da CIA chamado Black Dynamite. Ele entra numa trama para investigar o assassinato do irmão pela máfia italiana. Nem preciso dizer que o herói resolve tudo usando artes marciais e muita porrada.

O filme vai ganhar uma crítica aqui. Abaixo, deixo o trailer da produção e neste link, o site oficial de Black Dynamite.

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Sep 30 / 5:04am

O vazio completo no Natal*

festrio

 

 

Imagine-se trancado na noite de Natal em uma casa, junto com as suas lembranças. Um encontro com as decepções amorosas, a perda de um paarente, sonhos inacabados, incertezas da adolescência. Num emaranhado de sentimentos como esse, gira o enredo de Navidad (Navidad, 2009), segundo longa-metragem do diretor chileno Sebastian Lelio. O longa produzido por uma parceria Chile/França cria um triângulo amoroso adolescente para construir a história.

Para esse drama, um trio principal formado pelos atores Manuela Martelli, do bom filme La buena vida (2007); Alicia Rodríguez, em sua estreia no cinema; e Diego Ruiz. Na noite de Natal, Aurora (Martelli) decide passar a noite de Natal com Alejandro (Ruiz), eles vivem uma relação conflituosa e namoro não vai bem, até que conhecem a jovem Alicia (Rodriguez) e se interessam por ela. A menina guarda a vontade de conhecer o pai, que abandonou ela quando era criança.

Mesmo como todo esforço, o triângulo amoroso não decola e quem assiste fica a sensação de estar vendo uma apologia a falta de criatividade. Ao mesmo tempo, a produção tem  um roteiro sem profundidade, o que deixa o filme mergulhado em um amontoado de situações desconexas. Essa falta de consistência coloca Navidad muito mais como uma birra adolescente, com pretensões de ser levada a sério. Compreensível diante de toda pobreza da história e em situações que nada tem haver com o universo do jovem comum.

Tentando discutir com inteligência os conflitos adolescentes, Navidad não passa de uma produção pretensiosa. Falta mais sensibilidade ao roteiro e química ao triângulo amoroso do filme. No final, fica a sensação de vazio completo para uma proposta que era que era confrontar as visões de mundo diferentes dos personagens principais. Na noite de Natal, Sebastian Lélio tenta produzir  um longa com profundidade, mas o resultado é muito fraco e entendia o público.

Mostra Premiere Latina
Navidad
Direção: Sebastian LélioChile/França, 2009. 103 min.
Com: Manuela Martelli, Alicia Rodríguez, Diego Ruíz

*crítica postada originalmente no Almanaque Virtual

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Sep 29 / 4:19am

Cel.U.cine: um celular na mão e uma ideia na cabeça

Um câmera na mão e uma ideia na cabeça. Esse já foi o lema dos cineastas brasileiros no Cinema Novo, mas agora a frase poderia ser adaptada para: "Uma celular na mão e uma ideia na cabeça". Pelo menos é assim que você vai pensar depois de ver os finalista do Cel.U.cine, ou Festival de Micrometragens - produções feitas por celular - que chega ao final no dia 2 de outubro, no Rio de Janeiro.

A ideia do festival é bem simples: difundir a produção por celulares, descobrir novos realizadores e promover oficinas para ensinar as técnicas para pessoas comuns. A escolha do vencedor será por voto popular pela internet e a cerimônia de premiação será realizada dentro do Festival do Rio. É o cinemão conhecendo as novas mídias tecnológicas.

Veja três dos finalistas e confira o restante aqui.

100 em 1


5 R.E.M



A palavra mais difícil

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Sep 28 / 7:43am

Um lamento: Quentin Tarantino não vem mais ao Festival do Rio

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Em comunicado oficial, a assessoria do filme 'Bastardos Inglórios' anunciou que o diretor Quentin Tarantino não vem mais para a pré-estreia do longa no Brasil. Segundo a nota, o diretor está exausto das viagens que tem feito pelo mundo para a divulgação do novo trabalho.
 
Espero que o filme não tenho o mesmo destino que 'Prova de Morte', também dirigido por Tarantino, e que até hoje não foi lançado no Brasil. Como mostra esta reportagem Rafael Oliveira em O Globo. Abaixo, o trailer de 'Bastaros Inglórios'.

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Sep 28 / 5:57am

Realidade e ficção se encontram em 24 city*

festrio

 


crítica publicada originalmente no Almanaque Virtual

O mundo quer desvendar a China e o fenômeno econômico que se tornou o país asiático. Afinal, socialismo e capitalismo coexistem, no que um estudioso consideraria um autêntico paradoxo. O que o filme 24 City (Er Shi Si Cheng Ji, 2008) investiga é a construção dessas contradições, usando ficção e realidade. No enredo, o ponto de partida é demolição da fábrica estatal 420, na província de Gedgu para dar lugar a um condomínio de luxo, chamado 24 city. Mais do que simplesmente um objeto, ela é o personagem principal da produção.

E para recriar essa realidade, o diretor Jia Zhang-Ke traz três mulheres contando histórias ficcionadas, mostrando como suas vidas foram marcadas pela a existência da fábrica. Paralelamente, cinco homens que se envolveram com elas, dão depoimentos reais para as câmeras. Esse encontro entre real e imaginário, permite ver um mundo que é ao mesmo tempo a fábrica, mas também um retrato transformação da China e das contradições do regime estatal.

Dentro da fábrica suplementos militares 420 é onde os personagens se casam, têm filhos, constroem as suas vidas, se separam. Ao mesmo tempo, ela carrega o simbolismo do intervencionismo governamental, que vai além do campo econômico e acaba transformando a história de cada pessoa da província Gedgu. Os personagens são peças da complexidade do sistema e paralelamente se encontram ao longo da história do desmonte da empresa.

Para dar vida a estas conexões, 24 City tem uma boa direção de fotografia, acompanhada de um bom roteiro. No entanto, falta fluidez a produção em alguns momentos, o que diminui o impacto sobre as histórias dos personagens. Apesar disso, a mistura entre ficção e realidade coloca mais evidente o confronto entre a nova e a velha China. Jia Zhang-Ke interroga ao espectador, mostrando com sensibilidade como é falsa a construção de prosperidade feita dentro regime comunista.

Para acentuar ainda mais essa ideia, filme é todo montado em cima dos confrontos novo-velho, capitalismo-socialismo, tradição-mudança, estatal-privado, abandono-ocupação, ficção-realidade. Para o público fica a percepção de que a China moderna pode ser explicada pela fábrica 420 – uma história real, onde todos são meramente peças de um regime que trata todos como objetos da exploração predatória. Não é por acaso que Jia Zhang-Ke é um dos grandes nomes do cinema chinês.

Mostra Panorama do Cinema Mundial
Er Shi Si Cheng Ji
Direção: Jia Zhang-KeChina, 2008. 107 min.
Com: Joan Chen, Lv Liping, Zhao Tao, Chen Jianbin

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Sep 24 / 5:01am

As pedidas do Festival do Rio 2009 ou filmes esperados para o segundo semestre

O maior festival de cinema da América Latina começa nesta sexta-feira (25), no Rio de Janeiro, e há filmes que você deve e não pode perder. É claro que a maioria deve estar nos circuitos em alguns meses, mas ver antes de todo mundo é sempre muito bom. O rota 021 fala um pouco de alguns deles e traz as informações de onde assistir todas estreias.

Bastardos Inglórios | Quentin Taratino

Só pelo o enredo, o filme já merecia pelo menos uma certa atenção, mas quem viu Pulp Fiction, Assassinos por Natureza e Kill Bill pode esperar muito da produção de Quentin Tarantino. Estreia no Festival do Rio será com a presença do cineasta americano, em uma sessão que vai ser disputadíssima. No elenco estão Brad Pitt, Eli Roth, BJ Novak e Mike Myers.

Abraços Partidos | Pedro Almodóvar

Mais uma vez Almodóvar volta às telas retratanto a Espanha e com a sua musa Penélope Cruz no papel principal em Abraços Partidos. Vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 1999 por Tudo Sobre Minha Mãe, ele conta a história de Mateo Blanco, um cineasta que sofre um trágico acidente de carro, perdendo simultaneamente a visão e sua grande paixão, Lena. Sofrendo aparentemente de perda de memória, abandonou sua persona de cineasta e preservou apenas sua faceta de escritor, cujo pseudônimo é Harry Caine.

Distrito 9 | Neill Blomkamp

Mostrar extraterrestres vivendo em um distrito dentro da África do Sul é uma ideia um tanto inusitada. Mas esta é a grande aposta do enredo de Distrito 9, primeiro longa metragem do sul-africano Neill Blomkamp. Lá fora, a produção recebeu críticas pesadas, porém não custa nada ir em uma sessão para ver se os críticos não exageraram. No elenco não há nenhum nome conhecido, mas o longa é produzido por Peter Jackson.

Che 2 - A Guerrilha | Steven Sodenberg

Segunda parte da história do revolucionário argentino, vivido por Gulhermo Del Toro. De volta a América do Sul e no auge da fama, ele tenta formar novas frentes de luta armada no continente. A produção tem a participação do brasileiro Rodrigo Santoro.

A Batalha dos 3 Reinos | John Woo

O cineasta de A Outra Face volta às telas com um épico ambientado na China, terra natal do diretor. Baseado em fatos reais, o filme narra a luta entre dois povos rivais contra um exército de 1 milhão de soldados. Você por acaso lembrou de 300, de Zack Snyder?

Bad Lieutenant: Port of Call New Orleans | Werner Herzog

Confesso a minha impaciência com Nicolas Cage, já que ele não faz nada descente há pelo menos três anos. Mas, sempre insisto em dar uma chance a ele. Talvez, achando que ele possa reencontrar o caminho das boas atuações. Em Bad Lieutenant, Cage será um policial na cidade de Nova Orleans pós-Katrina, viciado em drogas. A produção tem ainda  Eva Mendes, Val Kilmer e Xzibit.

Aconteceu em Woodstock | Ang Lee

O diretor de O Segredo de Brokeback Moutain vai contar uma história ficcional ambientada no famoso festival de rock, que este ano completou 40 anos. Na história, o jovem Elliot Tiber tenta salvar a fazenda da sua família e, ao saber do embargo à um festival de música em uma cidade próxima, resolve oferecer a propriedade aos produtores. Mal sabe ele, que o evento vai entrar para história.



Matadores de Vampiras Lésbicas
| Phil Claydon

Ao que parece, a produção vai ser uma grande brincadeira com os filmes de terror vampirescos. Em um remoto vilarejo sofre de uma maldição lançada por Carmilla, a Rainha Vampira Lésbica, que acomete as belas meninas de 18 anos que passam por ali. Ao cair da noite, as beldades revelam seu gosto por sangue, e pela carne uma das outras.

No lado brasuca, há filmes interessantes chegando ao Festival. Mas acho que este ano faltou um nome de peso nas telas.

Bellini e o Demônio | Marcelo Galvão

O filme é a continuação de Bellini e a Esfinge, baseado em livro homônimo de Tony Belloto. Novamente teremos Fábio Assunção no papel do detetive, que está cada vez mergulhado no submundo. Agora, ele terá que recuperar um livro antigo, que pode explicar uma série de assassinatos.



Sonhos Roubados
| Sandra Werneck

A diretora de Cazuza e Amores Possíveis conta a história de três adolescentes que se prostituem para sobreviver. Mesmo assim, elas tentam buscar sonhos dentro de um mundo sem pespectivas.

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Sep 22 / 6:49am

O sonho cubano*

festrio


 

Falar sobre Cuba é quase sempre lembrar de revolução, Fidel Castro e socialismo. Foram com base nesses três elementos que se constituiu toda a realidade do arquipélago caribenho, o que torna bastante improvável fazer um filme sem deixar de tocar em algum deles. Em Cornucópia (El Cuerno de la abundancia, 2008), o diretor Juan Carlos Tabío lança um olhar bem humorado sobre contradições da ilha, principalmente após a abertura econômica promovida nos últimos anos.

A história nos leva até o pequeno vilarejo de Yaragüei, no interior de Cuba, onde a notícia de uma herança milionária muda a vida dos moradores. Todos aqueles que tiverem sobrenome Castiñeira terão direito ao dinheiro, depositado em um banco por um monge. A cobiça divide o povoado e vira sinônimo de confusão entre aqueles que estão direta ou indiretamente envolvidos na disputa pela fortuna, que pode enfim tirar da situação difícil em que vivem.

É impossível não se identificar com os personagens e com as situações criadas por Juan Carlos Tabio. Mesmo parecendo uma comédia despretensiosa, Cornucópia expõe em pequenas críticas, as contradições do regime: desigualdade social, riqueza para os burocratas, além da percepção de que a abertura econômica do país só chegou para alguns. Entretanto, há lacunas no roteiro, resultando em uma história confusa e sem rumo em certos momentos.

Mesmo com esses problemas, a produção explora bem os desencontros provocados pela cobiça e mostra que todos são iguais quando há interesses envolvidos. O diretor Juan Carlos Tabío, que trabalhou em produções como ‘Guantanamera’ (1998, dividindo a direção com Tomás Gutiérrez Alea), coloca a percepção apurada sobre a realidade do seu país, contextualizando o drama de um povo revolucionário, que entrou para a história, mas que hoje resiste com fragilidade ao embargo econômico americano.

Para mostrar a complexidade dessa realidade, nada melhor do que fazer humor. Partindo desse ponto, Cornucópia constrói um retrato divertido, mas realista da situação provocada pela tríade revolução, Fidel Castro e socialismo. Apesar do roteiro mediano, o diretor cubano faz uma comédia de costumes interessante e, ao mesmo tempo, mostra que a luta pela sobrevivência na ilha aumenta enquanto caduca o regime.

MOSTRA PREMIERE LATINA

Cornucópia (El Cuerno de la abundancia) Espanha / Cuba, 2008. 108min
Direção: Juan Carlos Tabío
Com: Jorge Perugorría, Enrique Molina, Paula Alí

*crítica publicada originalmente no Almanaque Virtual

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